terça-feira, 13 de novembro de 2012

If thou must love me (Elisabeth Barrett Browning)

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If thou must love me, let it be for nought  
Except for love's sake only. Do not say,  
"I love her for her smile—her look—her way  
Of speaking gently,—for a trick of thought  
That falls in well with mine, and certes brought
A sense of pleasant ease on such a day"—  
For these things in themselves, Belovèd, may  
Be changed, or change for thee—and love, so wrought,  
May be unwrought so. Neither love me for  
Thine own dear pity's wiping my cheeks dry:
A creature might forget to weep, who bore  
Thy comfort long, and lose thy love thereby!  
But love me for love's sake, that evermore  
Thou mayst love on, through love's eternity.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Bijou

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"There was once a prince, and he wanted a princess, but then she must be a real Princess. He travelled right around the world to find one, but there was always something wrong. There were plenty of princesses, but whether they were real princesses he had great difficulty in discovering; there was always something which was not quite right about them. So at last he had come home again, and he was very sad because he wanted a real princess so badly." 
(The princess and the pea - Hans Andersen)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Espera!

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Ela chegou ao lugar combinado e encontrou um bilhete “Espere por mim aqui”. Era fácil reconhecer aquela letra, a disposição das palavras – e até o papel lhe era familiar. Ela sentou no chão, e esperou alguns minutos. Cansada, resolveu andar alguns passos para a direita, e tentar vê-lo ao longe... Mas ele não estava, e ela resolveu voltar. Talvez ele viesse do outro lado... Tentando enxergá-lo, não percebeu um galho com espinhos no chão, e se machucou. Assim ela continuou, impaciente, mas sempre voltando para o local combinado. Até que percebeu que nada disso adiantava, e que era preciso esperar... Esperar. Ela sentou mais uma vez, e, imóvel, esperou. Passaram-se alguns minutos, horas e até dias, quando percebeu que seus pés estavam enraizados e que a sua mão, que tanto coçava, agora tinha botões de rosas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

♪

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Ela vacilava, e caia. E ele sempre estava ali, pronto para a ajudar a levantar. Algumas vezes a segurava antes de cair, outras a deixava sozinha, sabendo que a queda também é muito importante quando se aprende a andar. Aos poucos, ganhando confiança, ela decidia fazer tudo sozinha – até perceber que não, não queria, precisava de sua presença ao lado, guiando seus passos. E, mais uma vez no chão, levantava os braços e dizia em silêncio, com os olhos cheios de lágrimas “segura a minha mão, eu preciso de você”...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Espera

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Ela fechou o arquivo, e suspirou. Era mais uma daquelas correntes que contam uma história bonita, que às vezes arranca algumas lágrimas até que, no ápice pede para encaminhar para todos os amigos, quebrando todo o encanto. Ela não enviaria – nunca enviava -, mas dessa vez era diferente. A história tinha ficado gravada em seu coração, e ecoava em seu ouvido. O urso, que não queria largar a panela de melado era ela – ela com sua mania de se apegar a coisas que só queimavam suas mãos, ela que se deixava levar pela imaginação ao sentir o cheiro do conteúdo da panela, ela que sempre quisera tudo na hora... 
“Não, dessa vez não”, ela pensou. “É tempo de esperas”.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Definition

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Ao terminar de preencher o formulário de mais uma rede social, ela se deparou com a pergunta “Quem é você?”, e hesitou antes de responder. Depois de ler muita teoria sobre identidade fragmentada, sujeito pós-moderno e outras filosofias, ela sentia que a resposta não seria simples. Ela sabia que não eraum nome, nem um número... Não era seu sexo, religião nem time de futebol. Seu gosto em músicas, filmes, livros também não a definiam – mas então, o que responder? Depois de muito pensar, ela escreveu, ainda sem muita certeza: “Sou um sorriso”.

domingo, 13 de novembro de 2011

Inquietações

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Ela tirou os olhos do texto e suspirou, pensativa. Mesmo que entendesse aquela dor, não conseguir aceitar que alguém deixasse de gostar do perfume de rosas por ter se ferido uma vez com um de seus espinhos...

domingo, 30 de outubro de 2011

Blank

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As páginas começaram a virar, uma a uma, como se o vento se preocupasse com seu conteúdo. Memórias de risos, choros, agonias, conquistas e dúvidas passam rápido em sua frente, enquanto ela sentia um nó da garganta por confrontar seu passado assim, sem máscaras. Sem muito pensar, ela fechou o livro. Sabia que tinha uma nova chance – e agora ela queria escrever sua história de modo a não mais se arrepender, pois ela não olharia para trás.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Para-para-paradise

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Ela acordou com a certeza de que podia voar.
“O mundo não é assim!” “Você não pode – ninguém pode...” “Deixa de lado essa fantasia!” ecoavam em sua mente, como correntes a prendendo no chão.
Mas ela acreditava. E, porque acreditava, podia.



segunda-feira, 24 de outubro de 2011

♫

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"Vou traindo minha sina
Distraindo decisão
Falo coisas que as vezes não faço
Sou boneca, sou palhaço, ponto de interrogação..."


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pó

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Ele abriu a gaveta e foi tirando os arquivos, um a um. Alguns deles estavam manchados, empoeirados, cheios de teia de aranha, outros se conservavam intactos, como se tivessem sido colocados recentemente. Com uma paciência que não é humana, ele abriu um a um, e examinou os que valia a pena serem guardados e os que não, cuidando para não deixar de lado a essência. Só com essa limpa, haveria espaços para coisas novas... E ele sabia que precisaria de muito espaço para todas as mudanças que viriam.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

22

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Em pouco tempo, ela faria 22. E ela se sentia estranha.
Ela já ouvira várias vezes em aniversários “estou ficando velha”, “como o tempo passa” – mas não era esse o sentimento. Ela lembrava da infância... De quando ainda estava aprendendo a escever, que via da janela do seu quarto os meninos do ensino médio. Tão adultos... Nessa época, recebeu um cadernos de confidências, que eram tão comuns. “Vou casar aos 21”, ela escreveu, pensando que 21 anos era o suficiente para que ela já estivesse adulta, mas não tão velha a ponto de não poder mais ter filhos.
A um mês de fazer 22, lembrava como tinha sido inocente. Olhando para trás, percebeu que sempre tentara amadurecer antes, querendo ser mais velha – mas, que, nessa brincadeira, esquecera de aproveitar cada idade como é. Nesse ano, em vez de um presente, ganharia uma reponsabilidade: a consciência de sua idade, e a responsabilidade de viver no presente.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Break

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O alarme a despertou em meio a tantos pensamentos soltos.
Era em horas como essa, de profundo cansaço, que ela redescobria a importância de um abraço, do sorriso sem motivo, do cheiro de café, daquela música tocando no rádio – aquela, justo aquela! – da conversa sem sentido, da ligação inesperada, do bilhete esquecido na bolsa, da frase repetida em voz alta, do cheiro de chuva na terra, da palavra de incentivo, dos sonhos...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

De um "eu" para um "você"

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

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"Todo mundo ficou em paz, menos Aureliano. A imagem de Remedios, a filha mais nova do delegado, que pela idade poderia ser sua filha, ficou doendo em alguma parte de seu corpo. Era uma sensação física que quase o incomodava para andar, como uma pedrinha no sapato."

(Gabriel Garcia Marquez)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

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"Não" ela respondeu, tentando parecer decidida. Ela não queria acabar com tantas histórias que ela mesma criara... Enquanto isso, ouviu a música no rádio: "... isso estragaria o meu faz de conta ..."

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Retalhos

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E mais uma vez ela olhou para o relógio, pensativa. Suas tardes de tédio eram eternos suspiros, repletas de saudades do futuro que poderia ter sido, preenchidas com pesquisas sobre assuntos tão aleatórios quanto ela poderia encontrar. Enquanto o fim da tarde não chegasse, ela continuaria ali, sentindo o cheiro de café que ela não poderia tomar, procurando músicas que ela não poderia ouvir – até que algumas palavras a levassem pra longe...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bliss

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"... when she wanted to run instead of walk, to take dancing steps on and off the pavement, to bowl a hoop, to throw something up in the air and catch it again, or to stand still and laugh at - nothing - at nothing, simply."

(Katherine Mansfield)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tolices

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Mesmo relutante, ela entrou. O lugar lembrava um cenário de filme, com um toque de fantástico que só foi reforçado pelo homem que estava ali parado, olhando para ela de uma maneira cordial.
“Como presente de boas vindas, você irá ganhar um chocolate” – ele começou a explicar, como se não fosse a primeira vez que dizia aquelas palavras – “que está em um dos cômodos. Se você souber procurar, irá encontrar um chocolate com nozes e avelãs que é muito bom, mas não tão fácil de ser encontrado. Se tiver pressa, porém, poderá provar um chocolate qualquer. Como eu disse, irá ganhar um chocolate, apenas um, então seja cautelosa na hora de escolher.
Ela pensou no chocolate com nozes... Nozes a lembravam da infância junto dos irmãos, quando eles disputavam um espaço nas falhas da cerca para pegar algumas nozes caídas no chão da árvore do vizinho. Em sua adolescência, bombons de avelãs eram os presentes que seu pai trazia, depois de meses de viagens, nos poucos dias que passava com ela... Era isso. Ela decidira ir até o fim.
Ao entrar no corredor, viu uma infinidade de portas... Quantos doces ela veria antes de encontrar o que ela queria? Ela conseguiria reconhecer quando o encontrasse? Quando entrou na primeira porta, encontrou um embrulho simples em cima de uma mesa, que ela logo reconheceu como chocolate barato e de má qualidade. Na segunda, o embrulho era maior, e o doce parecia um pouco melhor, mas ainda não era o que ela queria. E assim ela continuou, até que todos pareciam iguais... Cansada de tentar, ela entrou em uma das portas, sentou na pequena poltrona perto da janela e abriu o embrulho, levando o doce até próximo de sua boca. Quando ia dar a primeira mordida, uma voz sussurrou em seu ouvido “espera”... Ela lembrou das nozes, da infância, e desistiu. Resolveu continuar a procura... A cena se repetiu por mais algumas vezes, mas ela sabia que havia algo melhor à sua espera.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Desabafo

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Após terminar de ler um livro de Rubem Alves, o menino resolveu soltar seu pássaro. O canário tinha sido seu por muito tempo, e mais que o cantor da casa, ele era seu amigo e confidente, mesmo sendo apenas uma ave. Ao abrir a gaiola, demorou um tempo até o canário perceber que seu dono não iria apenas colocar água ou comida, mas que ele poderia sair. O pássaro pulou no ombro do menino, e cantou. Não era um canto como todos os outros – a melodia era suave e alegre, bonita como ele nunca havia ouvido. Após terminar seu canto, o canário voou pela sala, lentamente, se acostumando a usar as asas que antes não eram usadas. O menino sabia que por todo o tempo que conviveram, o canário voltaria, mas, ao vê-lo voando, o medo de perder o invadiu, e ele fechou a janela, sem perceber que isso só aumentaria o desejo de fuga. Com a janela aberta, a ave voltaria, após alguns dias de liberdade, cantaria aquela bela canção mais uma vez e tornaria a sair, verdadeiramente feliz. Com o ato do menino, seu desejo de voltar diminuía, sufocado pelo desejo de voar ...
 

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